

Histórias de Gatos
Uma história Polonesa
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á muitas primaveras,
de acordo com uma antiga lenda polonesa, pequenos gatinhos
brincavam caçando borboletas, à beira de um rio, quando
derepente caíram nele.
A mãe gata, desesperada, sem saber como salvá-los, começou a
chorar e gritar por socorro.
O Salgueiro, à margem do rio, inclinou seus longos ramos,
graciosamente para dentro dele. Os gatinhos se agarraram com
força aos galhos do Salgueiro e se salvaram.
Desde então, na primavera, dos ramos do salgueiro brotam
pequenas flores, que lembram a pelúcia dos gatinhos, que um dia
os ramos salvaram.
O Gato de Botas
Charles Perrault
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ouve um moleiro que
ao morrer deixou para seus filhos somente sua moenda, seu burro e
seu gato. A partilha foi prontamente feita. Não foi necessário
escrivão ou advogado. O irmão mais velho ficou com a moenda. O
segundo com o burro e ao mais novo só restou o gato.
O
irmão mais novo estava inconsolável, por ter ficado com tão
pouco.
"Meu irmãos", ele disse, "podem viver bem, se
unirem o que ganharam; mas de minha parte, depois de comer meu
gato, morrerei de fome."
O gato que ouvia a tudo, mas fingia que não, disse com voz grave
e ar sério:
"Não se aflija meu bom senhor. Você não precisa fazer
mais nada, a não ser me dar uma saco e um par de botas, feito
para mim, para que eu possa andar por essas estradas cheias de
poeira e lama. Então verás que tenho muito mais valor do que
pensais."
O dono
do gato não levou muito a sério o que este disse, já tinha
visto muitas vezes o gato brincando e enganando muitos ratos e
camundongos. Mas como não tinha mais nada a perder, fez o que o
gato pediu.
Quando o gato obteve o que queria, ele se vestiu muito
galantemente, e colocando o saco sobre o ombro foi para a mata.
Ele havia colocado dentro do saco farelo de milho e armou uma
armadilha para caçar coelhos.
Com o coelho que caçou dentro da sacola, foi até o palácio do
Rei e pediu para ser recebido por sua majestade.
Levado até os aposentos do Rei, fez uma longa reverência e
disse:
"Eu
trouxe para vossa majestade um coelho, com o qual meu Senhor, o
Marquês de Carabás, ordenou presenteá-lo"
"Diga ao seu Senhor", disse o Rei, " que eu o
agradeço e me sinto muito lisonjeado".
De uma
outra vez, o gato foi para um campo de milho, armou outra
armadilha com o saco e caçou algumas perdizes.
Novamente deu a caça de presente ao Rei. O Rei, como da primeira
vez, ficou muito agradecido, e deu ao gato algum dinheiro.
O gato continuou por dois a três meses, a levar presentes ao Rei, dizendo serem de seu Senhor.
Um
dia, quando o gato soube que o Rei sairia para passear perto do
rio, com sua filha, uma linda princesa, ele disse ao seu Senhor:
" se você fizer o que mando, será muito rico. Você só
precisa se banhar neste rio, no local que indicarei e deixe o
resto comigo".
O Marquês de carabás fez o que o gato mandou, sem saber porque
nem pra que. Enquanto se banhava, o Rei passou e o gato começou
a gritar bem alto:
"Socorro! Socorro! O meu senhor, o Marquês de Carabás
está se afogando".
Com todo o barulho, o Rei colocou a cabeça para fora da janela
da carruagem, e vendo que era o gato que sempre lhe trazia
presentes, mandou que seus guardas corressem e ajudassem
imediatamente o Marquês.
Enquanto tiravam o pobre Marquês de dentro d'água, o gato foi
até a carruagem, e contou ao Rei que, enquanto seu senhor estava
se banhando, vieram ladrões que roubaram suas roupas, apesar
dele ter gritado bem alto: "ladrões! ladrões!".
Na verdade, o gato maroto havia escondido as roupas embaixo das
pedras na margem do rio.
Na mesma hora, o Rei ordenou aos seus guardas que trouxessem de
seu guarda-roupa, as melhores vestes que encontrassem para
dá-las ao Marquês.
O Rei tratou o rapaz muito bem. Como ele já era bonito, com
roupas finas sua beleza realçou ainda mais, fazendo com que a
princesa se interessasse por ele.
O gato
estava muito satisfeito por ver que seu plano começava a dar
certo.
Enquanto seu Senhor ia na carruagem, com o Rei e a Princesa, ele
corria à frente e a todos os camponeses que encontrava, dizia
que se fossem perguntados, dissessem ao Rei, que todos aqueles
campos pertenciam ao nobre Marquês de carabás e que nunca houve
uma quebra de colheita, de tão bem tratados que são.
E assim, pelo caminho, o gato pedia para que dissessem que tudo
pertencia ao Marquês, e o Rei ficava cada vez mais
impressionado.
Finalmente, o gato chegou ao castelo de um ogre, que era o
verdadeiro dono de todas as terras e colheitas que haviam visto.
O gato, que já havia se informado sobre o ogre e do que ele era
capaz de fazer, pediu para lhe falar, dizendo que não poderia
passar pelo seu castelo sem render-lhe as devidas homenagens.
O ogre o recebeu e o mandou sentar-se. o gato então disse:
"me
disseram que você tem o poder de se transformar em qualquer tipo
de criatura, como por exemplo um leão, ou elefante".
"e é verdade!" Respondeu o ogre ríspidamente. "e
para convencê-lo, irei me transformar num leão".
O gato
ficou terrivelmente assustado, ao ver que o ogre havia se
transformado num leão, e correu para se esconder embaixo da
mesa.
Quando o ogre voltou ao normal, o gato se acalmou e prosseguiu a
conversa:
"eu
também fui informado, mas não sei como posso acreditar, que
você pode se transformar em animais muito pequenos, como por
exemplo, um rato ou camundongo."
"Impossível?" gritou alto o ogre, " você verá
agora mesmo".
E
imediatamente se transformou num rato, e começou a correr pelo
chão. O gato então pulou sobre ele e o comeu.
Enquanto isso, o Rei que passava pela porta do castelo, teve a
idéia de entrar e conhecê-lo.
Quando o gato ouviu o barulho da carruagem, entrando pela ponte
do castelo, correu ao seu encontro e disse:
"Sua majestade seja bem-vindo ao castelo do Marquês de
Carabás."
O Rei muito surpreso, falou: "O que Marquês?!... esse
castelo também vos pertence? Nunca vi nada tão fino e
belo...deixe-nos entrar por favor".
O Marquês deu a mão à Princesa, e seguiu o Rei, que entrou
primeiro.
A Princesa já estava muito apaixonada pelo belo Marquês, e
após conhecer todo o castelo, o Rei disse: "depende somente
de você, meu senhor Marquês, ser meu genro".
O Marquês, já apaixonado pela linda Princesa, aceitou e
quarenta dias depois, eles se casaram.
O gato se tornou um grande Lord e nunca mais correu atrás de um
rato, a não ser por diversão.
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