
Jolly e Branquinha
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O casal mais perfeito que conheço: Branquinha e Jolly. Não sei ao certo a idade deles, mas Jolly com certeza já é um senhor, calculo que tenha por volta de 13 anos, o que seria uns 65 anos humanos. Para um cão de rua, que teve uma vida dura, isso é muito. Branquinha é mais nova, deve ter por volta de uns 10 anos. Jolly vivia junto a um bêbado que dormia na calçada do bar da esquina. A vida dos dois era dura. O coitado só vivia para beber, saúde deteriorando ano após ano e o Jolly lá do seu lado. Aquele amor incondicional que os cães têm pelos seus donos. Os moradores mais antigos contam que um dia apareceu a Branquinha, foi amor à primeira vista, se uniram por vontade própria e estão juntos até hoje. Não sei há quanto tempo estão juntos, moro nessa rua há 8 anos e eles já estavam aqui. Muitos casamentos não duram esse tempo. Certo dia pela manhã, o pobre bêbado foi encontrado morto na calçada. Mas Jolly e Branquinha de tão pitorescos foram adotados pela rua e ficaram. Algumas senhoras cuidam deles, dão água, comida, cama quente no inverno, levam ao veterinário para cuidar quando adoecem, são vacinados e castrados. Jolly some de vez em quando, indo passear por aí. Branquinha fica; olhos compridos e tristes esperando que volte. Às vezes o reencontro é digno de um filme, com os dois pulando e correndo, alegria pura. Às vezes, quando a demora é muito grande, Branquinha se faz de indiferente, dá um gelo no sem-vergonha. Mas não pensem que ela fica de boba na sua ausência, ela também flerta outros cães, mas quando Jolly volta, ela finge que não os conhece. Quando chegam perto ela faz um olhar de: “Eu hein... te conheço??...” A verdade é que como todo malandro, ele sai pra farrear, mas morre de ciúme da Branca. Não gosta muito que os cães de madame cheguem perto do seu território, mas os vira-latas, se chegarem com respeito, são aceitos com um olhar meio desconfiado. Como todo bom cavaleiro, ele assume o papel de protetor da sua amada. Jolly tem estado mais rabugento com a idade e dado a algumas caduquices, como correr atrás de carros barulhentos, latindo atrás indignado. E a Branca corre atrás, como quem diz: -“ Jolly seu maluco, volta aqui!” Lá pelo meio da rua, já cansado pela idade, ele pára de correr, dá mais umas latidas, bico pro alto, cara de invocado: -“E não voltem mais aqui!” Volta andando devagar e arrastado, como quem sente dores nas juntas. Deita na calçada para descansar e ela deita ao seu lado. Dois vira-latas que vivem na minha rua, de tão incomuns e queridos, comportamento quase humano, fazem a nossa alegria. Por mais chateada que eu esteja, ao dobrar a esquina e ver os dois lá, juntos, meu coração se enche de ternura e esqueço o que me afligia.
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