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Crio gatos há muitos anos,
todos vira-latas achados na rua. Desde criança não tinha um cão,
apesar de ter muita vontade de voltar a ter um, mas sempre evitava
por causa dos gatos.
Em março de 2003, uma protetora encontrou na rua, um cão preto e
branco, vira-lata, que tentava entrar num supermercado para se
abrigar da chuva. Era noite e fazia frio. O segurança do
supermercado o botou pra correr aos pontapés. Ela e o marido, que
sempre socorrem animais na rua, o levaram para casa. Estava faminto
e tinha marcas de maus tratos, como queimaduras de cigarro nas patas
e cicatrizes pelo corpo.
Como ela já tinha um cão, que também foi tirado da rua, além de
muitos gatos para adoção, ficou impossível mantê-lo, tinha que ser
adotado por alguém.
Quando eu vi essa carinha fiquei apaixonada e foi recíproco. Ele
veio aqui pra casa e não deu trabalho ou problema nenhum. Se deu
muito bem com os gatos, não faz sujeira, não roe nada, quase não
late. No início era meio triste, desconfiado, não brincava. Mas
agora já é um cão normal. Acredito que tenha praticamente esquecido
os maus tratos que sofreu, pelas marcas que ele tem não foram
poucos.
Nos encontramos na hora certa, pouco mais de 2 mês após a sua
chegada, eu perdi meu pai. Se não fosse pela amizade, carinho e
dedicação dele, teria sido muito difícil sair da depressão. Ele me
encorajava a sair da cama de manhã, me puxava pra passear, me
alegrava com sua carinha feliz e esperta.
Ele é meu amigo de toda hora, meu Nick.
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